Buscar
  • Mulheres na Literatura

Mulheres à frente de seu tempo

Você acha que as escritoras tiveram um papel importante na formação da mulher contemporânea? Como estas mulheres que superaram tabus, ultrapassaram limites e abriram novas perspectivas nos deixaram este legado?

Sabia que a primeira mulher a deixar a autoria em uma obra escrita foi a princesa Enheduanna, filha do rei Sargão I de Acadia, primeiro império da região da mesopotânea, onde hoje se localiza o Irã, Iraque, Síria, Turquia.

Nascida por volta de 2300 a.C, Enheduanna compôs, como sacerdotisa de Dnanna, deus sumério da Lua, uma série de canções em louvor à deusa do amor e da guerra, além de poesias.

Talvez por ser uma princesa e sacerdotisa, ela pode não ter se deparado com tantas dificuldades, ou pelo menos não está explicito nos relatos deixados sobre sua história.


Porém, o mesmo não pode ser dito das mulheres que a sucederam.


Eu sempre tive certa paixão pela literatura inglesa, e ao escrever este post e percorrer os meandros da história, constatei o quanto algumas das mulheres desta terra inspiradora abriram caminhos através de suas trajetórias e histórias para que pudéssemos alcançar muitos de nossos direitos atuais.


Por isso, convido-lhes a viajar no tempo e aterrissar no século XVIII para conhecer o legado deixado por algumas delas.




Mary Wollstonecraft (1759-1797) - Direitos pela Educação


A mãe de Mary Shelley foi filósofa, educadora e escritora. Autora de Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher, obra que a coloca como destaque por ter sido uma das primeiras a abordar a filosofia feminista.

Nele, Wollstonecraft responde aos teóricos da educação e política do século XVIII que não acreditam que as mulheres devem ter acesso ao sistema educacional. Ela defende a educação compatível do homem e da mulher, inclusive afirmando que as mulheres são essenciais para a nação porque educam filhos e poderiam ser "companheiras racionais" para seus maridos, ao invés de meras esposas. Wollstonecraft foi impelida a escrever os Direitos da Mulher depois de ler o relatório de 1791 de Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord para a Assembléia Nacional Francesa, que afirmava que as mulheres só deveriam receber uma educação doméstica. Com a publicação de seu documento, iniciou um ataque contra as desigualdades de gêneros e contra os homens por minimizarem a atuação das mulheres vinculando-as somente a seus excessos emocionais.

“O direito divino dos maridos, tal como o direito divino dos reis,

pode, espera-se, nesta era esclarecida, ser contestado sem perigo.”



Jane Austen: (1775-1817) – Contesta a opressão


Uma das mais famosas escritoras britânicas traz em grande parte de suas obras, contestações a exigência que a sociedade fazia a época para as mulheres possuírem “talentos”. Dentro deste contexto se encaixava especificamente tarefas ligadas ao perfil feminino que as qualificava para “laçar” um bom marido, e não a capacidade de agir e se instruir para realizar debates a altura com o sexo oposto. Suas heroínas inclusive traziam à tona estes questionamentos.

Em orgulho e preconceito, na voz de Elizabeth Benett, Jane expõe a não perfeição da mulher quando surge um debate entre os personagens, sobre o que comumente era o protótipo de dama ideal. Para a aristocracia, um bom modelo era o de uma mulher culta, que saiba falar idiomas modernos, que entendia de música, de estilo, de vários temas, e que tinha certo carisma e expressão que a favorecessem. Frente a isso, Elizabeth põe em dúvida se existe uma mulher capaz de ter todas essas qualidades ao mesmo tempo, ao que responde:


“Não duvido que conheçais apenas uma dezena;

duvido que conheçais alguma”.



As irmãs Bronte(1816-1855): Charlote, Emily e Annie - Decisão



Charlotte: Em Jane Eire - Mrs Rochestes – deixa uma vida frustrante para trás em busca de novos desafios, porém com extrema doçura.

Emily: No seu mais famoso romance O morro dos ventos uivantes – Catherine e Hathclif – A temperamental Catherine em detrimento da doce Isabella

Anne: A moradora de Wildfell Hall - Helen, uma decidida jovem que recusa vários pretendentes ao casamento. Para a autora, a mulher deveria ser dona do próprio destino, o que implica em um novo posicionamento em relação ao homem.

No entanto, cabe ressaltar que, as irmãs publicaram suas obras utilizando-se de pseudônimos masculinos, sendo Currer Bell, Ellis Bell e Acton Bell, respectivamente. O que demonstra o quão difícil era difícil as obras, imaginem então expor ideais.



Virginia Woolf (1882-1941): A defensora do direito econômico para as mulheres


Dona de uma admirável autoestima, esta autora polêmica defendeu a igualdade econômica entre homens e mulheres. A intenção de Virginia Woolf era provocar reflexões a respeito da vida e da sociedade, recorrendo na maioria das vezes aos fatos sociais. Dessa forma, ela discute em seus textos questões decisivas de sua época, exemplificando os assuntos triviais do cotidiano bem como o existencialismo através dos sujeitos inventados.


“Depender de uma profissão é uma forma menos odiosa de escravidão do que depender de um pai.”


Virginia também inovou a literatura inglesa inserindo a técnica fluxo de consciência, representação literária de todo o pensamento em seu estado corrente, o processo de pensamento de um personagem, com o raciocínio lógico entremeado por associação de ideias.


Para exemplificar compartilho abaixo um trecho de Simplesmente Amor, romance de minha autoria:

“Aproximei-me do desenho da criança que corria pelo parque, a menina de cabelos cacheados e olhos doces. Deslizei o dedo sobre os traços, delineei as sombras. É bom poder lembrar quando desenhei este. Naquele belo dia de sol no Ibirapuera. Ah, o sol! Há tempos não o vejo. São Paulo continuava cinzenta.”

Através das histórias, estas mulheres transformaram não só sua época, mas também as que vieram. Tanto que, mesmo após séculos e séculos, as ideias delas se mantêm vivas.

Se você curtiu conhecer estes talentos da literatura, então siga o blog para receber as próximas postagens e saber mais sobre Mulheres na Literatura.

Por Helena Andrade

Fontes:

FISCHER, Steven R. História da leitura. São Paulo: UNESP, 2006.

www.wikipedia.org

www.hypeness.com.br

9 visualizações

Por @helenaandrade 2019

Imagens: Wix and Pixabay